Doenças de Verão: cuidados devem ser redobrados

 “O Verão é um período onde a maioria das pessoas aproveitam para tirar férias e aproveitar as altas temperaturas para curtir as praias (principalmente), represas, rios e piscinas, que por sinal são locais muito frequentados durante esta época do ano”. Com essas palavras o médico Infectologista, José Amaral Elias fala sobre os cuidados que se precisa ter com as doenças de Verão, tanto para crianças e adultos como também para animais como cães e gatos.

Segundo ele, a concentração grande de pessoas às vezes em cidades sem estrutura para esse volume todo num período só, aumenta os riscos de intoxicação alimentar, já em razão da conservação dos alimentos ser mais delicado durante o calor. Também tem a contaminação das águas e areias, por ser um período de maior circulação de vetores (mosquitos). “Importante ficar alerta pois as doenças de Verão poderão transformar um período de descanso e prazer em incomodações e riscos à saúde sendo que algumas vezes pode ser até muito grave”, destaca o médico ao repassar algumas das doenças infecciosas mais comuns nesse período junto com algumas dicas de como evitá-las e controlá-las.

Fique de olho

Infecções gastrointestinais: as infecções gastrointestinais podem ser viral ou bacteriana, geralmente são adquiridas em praias sem saneamento básicos e locais que servem comidas mal preparadas e mal conservadas. Essas infecções costumam provocar náuseas, diarreias e vômitos. Para evitá-las, é recomendável consumir alimentos como vegetais carnes e peixes crus apenas em lugares confiáveis, em que se saiba como as comidas são preparadas. Assim, por mais tentador que possa parecer não saia comendo a primeira coisa que veja na praia, só o fato de estar frito ou cozido não que dizer que possa estar livre de contaminações.

Bicho geográfico: muitos donos de cachorro gostam de levar seus animais para a praia. Um dos problemas desse hábito é que as fezes dos cães podem estar contaminadas com o parasita “Ancylostoma caninum”, causador do bicho geográfico. Em contato com a pele humana, a larva causa lesões avermelhadas que provocam coceira e se caracterizam por um contorno tortuoso, semelhante a um mapa. O tratamento da doença consiste na ingestão da dose única de um vermífugo. Nunca use uma agulha ou algo pontiagudo para “matar o bicho” pois além de não resolver poderá ocasionar uma infecção secundária na pele podendo ser mais perigoso que próprio parasita.

Conjuntivite: a propagação de vírus e bactérias favorece o contágio de conjuntivite. Os sintomas da doença incluem vermelhidão, inchaço, coceira e sensação de ardência nos olhos. Lavar bem as mãos antes de tocar os olhos e evitar compartilhar pertences como óculos e toalhas ajudam a preveni-la. Evite usar qualquer colírio sem indicação médica já que o uso de colírio com corticoides pode agravar a doença e trazer sequelas oculares graves. O que sempre ajuda, até a avaliação médica é soro gelado para lavar várias vezes ao dia os olhos.

Otite (“dor de ouvido”): a exposição à água do mar ou piscina pode acumular água no canal auditivo, o que desencadeia um quadro de inflamação e até de infecção no local. Isso causa dores fortes nessa região podendo levar ao quadro febril e saída de secreção ou pus do canal auditivo. Para evitá-la é preciso cuidado com o acúmulo de água nos ouvidos, a melhor forma para isso é o uso de protetores de ouvidos como aqueles usados pelos nadadores.

Micose: calor e umidade é a combinação perfeita para a proliferação de fungos causadores de micoses, infecções que provocam coceira e manchas brancas ou vermelhas na pele. Manter o corpo seco evita o problema: enxugar-se bem após o banho (principalmente nas regiões das dobras, como axilas e entre os dedos dos pés), não permanecer muito tempo com roupas molhadas como biquínis e maios além de vestir tecidos que favoreçam a transpiração como é o caso de roupas com algodão.

Hepatite A: o grande risco esta na contaminação da água do mar e de alimentos crus como mariscos e ostras. Contaminação por fezes através da rede esgoto. A doença causa mal estar com náuseas e até icterícia (ficar amarelo) e alguns casos pode chegar na forma fulminante que é extremante grave sendo necessário até de transplante de fígado. Prevenção segue as mesmas regras para as infecções gastrointestinais citadas acima, além da vacinação contra o vírus (hoje já no calendário do serviço público apenas para as crianças e casos com indicações especiais).

Leptospirose: a doença é causada por uma bactéria presente na urina de ratos é mais incidente no verão, por causa dos alagamentos frequentes que facilitam o contato entre a urina e a pele das pessoas. Febre, dor muscular intensa e olhos amarelados são sintomas da enfermidade, que pode evoluir para um quadro grave de insuficiência renal. É muito importante apresentando os sintomas acima, em pessoas que tenham contato com águas de alagamento procure atendimento médico rápido e sempre referindo o contato com essas águas.

Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela: o calor e as chuvas de Verão formam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito transmissor dessas três doenças, o Aedes aegypti; febre e dores do corpo são sintomas iniciais nas quatro doenças. A prevenção é feita com o uso de repelentes contra insetos e o cuidado de esvaziar recipientes com água parada, onde o mosquito costuma colocar seus ovos. No caso da febre amarela a vacinação em uma única dose, para quem não apresenta contraindicações é a prevenção mais eficaz e disponível na rede pública.

O médico, ao concluir, afirma que não pode deixar de observar que além dessas doenças infecciosas é muito importante ter cuidado especial a outras situações também muito comuns no Verão, como a desidratação e o risco aumentado de um futuro câncer de pele devido à exposição exagerada e não protegida aos raios solares.

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