Doação: ato que salva vidas

“Doar órgãos é um ato de amor e solidariedade”. Quando um transplante é bem-sucedido, uma vida é salva e com ela resgata-se também a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com o paciente transplantado. A família da pessoa doadora dos órgãos pode ter a certeza que a doação foi muito além de um ato de solidariedade. Foi um ato de amor ao próximo com a garantia que um “pedacinho” do seu ente querido ajudou a salvar uma vida, ou talvez até mais. O Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), tem atualmente 32 mil pessoas à espera de um transplante. É uma luta contra o tempo para renovar uma vida através da doação de um órgão. 

Em Timbó, esse ato que pode salvar mais de uma vida, a doação, começa a ficar mais forte, após o Hospital e Maternidade Oase realizar duas captações de órgãos em menos de uma semana. A primeira aconteceu na noite do dia 12 de março. “Um paciente que encontrava-se internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital apresentou sinais clínicos de morte encefálica, na madrugada do dia 10, sendo realizada a tomografia de crânio, evidenciando a suspeita médica, que ele tinha um acidente vascular encefálico hemorrágico”, explica a coordenadora da UTI, a enfermeira, Silvana J. Jorge.

De acordo com os profissionais médicos, todo paciente com morte encefálica tem potencial para ser doador de órgãos, sendo eles: rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e tecidos, como ossos, tendões, pele, córneas e válvulas cardíacas.

Segundo Silvana, no decorrer do sábado, dia 10 de março, teve início o processo de abertura de protocolo para a doação dos órgãos, com a participação da enfermeira responsável pela Central de Transplantes do Estado, Charlene Verusa da Silva, que orientou os profissionais do Hospital Oase. Um dos passos mais importantes, relata Silvana, foi a conversa com os familiares, para explicar a morte encefálica e deixá-los cientes da situação.

“Para efetuar a captação dos órgãos era necessário confirmar a morte encefálica e para isso foram realizados teste clínico, de apnéia e exame de imagem, que verificou o fluxo cerebral do paciente e que serviu para confirmar o óbito. Com a constatação da morte do paciente foi conversado com os familiares sobre a possibilidade da doação dos órgãos, ato que foi aceito pelos mesmos. Assim, novamente, iniciou-se uma corrida contra o tempo, após assinado os documentos necessários, foi conversado com os familiares sobre o tempo necessário para a realização do explante (retirada dos órgãos), informamos à Central de Transplantes do aceite da família para a doação e estes realizaram uma busca para saber qual seria a equipe cirúrgica que viria até o hospital para a realização do explante. Durante a noite de domingo, dia 11 de março, recebemos a informação, que a equipe do Hospital Santa Isabel realizaria o explante, cujo procedimento teve início por volta da 1h do dia 12 de março e sua finalização deu-se por volta das 5h30min, do mesmo dia. O procedimento foi realizado com sucesso, foram retirados o fígado e os rins do doador e enviados para serem transplantados e dar uma nova oportunidade para quem está a espera de um órgão. A doação também pode ajudar no luto, isso porque é comum escutar relatos de como é gratificante saber que um pedacinho daquela pessoa, que se ama, ficou em alguém que precisava.

Já a segunda captação de órgãos foi realizada no dia 15 de março, quando foram encaminhados para doação nas córneas e os rins.

 Tipos de doador

Existem dois tipos de doador de órgãos: o doador vivo, ou seja, qualquer pessoa saudável que concorde com a retirada de órgãos múltiplos, sem que haja prejuízos para sua saúde. E o doador cadáver, que são pacientes com morte cerebral constatada por um médico e que a família autorize a doação.

 Como se tornar um doador?

O principal passo para se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar claro esta vontade. No Brasil, não é necessário deixar um termo por escrito, são os familiares que autorizam a doação após a morte. Em vida, é preciso estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a sua saúde e aptidões vitais.

 Quem não pode doar?

Não podem doar órgãos pacientes portadores de doenças que comprometam o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular; portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contraindicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados; pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; pessoas com tumores malignos – com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero – e doenças degenerativas crônicas.

Quais órgãos podem ser doados?

– Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, seis horas);

– Pulmões (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por, no máximo, seis horas);

– Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);

-Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, 24 horas);

– Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, 24 horas);

– Valvas Cardíacas.

Quais tecidos podem ser doados?

– Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);

– Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);

– Pele (retirada do doador até seis horas depois da parada cardíaca);

– Cartilagem (retirada do doador até seis horas depois da parada cardíaca);

– Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);

– Sangue

Se todos os órgãos de um doador com morte encefálica forem aproveitados, 25 pessoas podem ser ajudadas. Por isso, reflita sobre este ato de amor ao próximo. “Seja um doador e dê uma nova chance a quem espera”.

Fonte: ABTO

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