Alerta: febre amarela

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC) emitiu alerta no dia 31 de janeiro para que equipes regionais e estaduais de Saúde intensifiquem ações de vigilância e prevenção contra a febre amarela. A vacina está disponível em unidade de Saúde (que tem sala de vacina) em todos os municípios do Estado.

Até a data de 31 de janeiro, nenhum caso de febre amarela havia sido registrado em 2019 no estado. No entanto, a intensificação das ações ocorre pela confirmação de um caso confirmado no Paraná, de um jovem de 21 anos, morador de Antonina, que está infectado com a doença.

Conforme o gerente de Zoonoses da Dive-SC, João Fuck, o vírus está circulando no Paraná e pode chegar a Santa Catarina. Por isso, os municípios e equipes regionais devem tomar iniciativas para que todos os moradores, entre 9 meses e menos e 60 anos, tomem a vacina.

A Dive-SC também pede que sejam cadastradas e notificadas informações sobre atendimentos relacionados à febre amarela, para acompanhamento estadual.

O órgão também solicita o aumento do controle do fluxo do mosquito Aedes aegypti em áreas urbanas, como estratégia de redução do risco da doença.

 

Vacinação abaixo do esperada

Somente 10,6% da população do estado que deveria se vacinar contra a febre amarela procurou as unidades de Aaúde, segundo a Dive-SC. Os dados são com relação ao público-alvo da campanha estendida de prevenção.

Até 15 de janeiro, 216.905 pessoas de uma população-alvo estimada de 2.046.324 tinha tomado a vacina em Santa Catarina, conforme a Dive-SC. O governo considera uma meta muito abaixo da esperada.

Desde de setembro de 2018, o governo de Santa Catarina estendeu a vacinação contra febre amarela para todos os catarinenses, nas unidades de saúde públicas. A orientação foi passada pelo Ministério da Saúde.

 

Dúvidas

SOBRE A VACINA
1 – Quem deve se vacinar contra a febre amarela? 
Todos os indivíduos de nove meses a 59 anos de idade e que nunca foram vacinados contra a febre amarela. A vacina é ainda mais importante para quem mora em áreas rurais ou de matas e rios, trabalha com pesca e agricultura ou planeja deslocamentos para áreas com casos confirmados da doença.

 2 – Onde a vacina está disponível? 
A vacina contra a febre amarela é ofertada gratuitamente nas unidades de Saúde dos municípios.

3 – Em quanto tempo a vacina começa a proteger?
A vacina leva 10 dias para fazer efeito no organismo. Em caso de viagens para locais com a confirmação de que o vírus esteja circulando, é preciso que a vacina seja tomada pelo menos dez dias antes do deslocamento.

4 – Quem já tomou uma dose da vacina contra febre amarela deve fazer reforço? 
Não é necessário. Conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas uma dose da vacina é indicada para a prevenção.

5 – Quem precisa de prescrição médica para tomar a vacina? 
Gestantes, mulheres que amamentam bebês menores de seis meses de idade e pessoas a partir de 60 anos de idade. Nesses casos, o médico avalia o risco-benefício da vacinação e, caso indique a imunização, vai prescrevê-la. 

6 – Há contraindicações? 
A vacina contra a febre amarela é contraindicada para pessoas com sistema imunológico enfraquecido, com histórico de reação alérgica grave ou doença febril aguda.

7 – A vacina pode provocar alguma reação adversa? 
Qualquer vacina pode provocar reações adversas leves, moderadas ou graves. Pode causar dor de cabeça, febre e mal-estar em algumas pessoas.

SOBRE A FEBRE AMARELA
1 – O que é a febre amarela? 
É uma doença infecciosa causada por vírus, que se manifesta por febre, dor no corpo, amarelão, fraqueza e com alto risco de morte nas suas formas graves. É uma doença sazonal, geralmente com aumento de casos entre dezembro a maio.

2 – Como a doença é transmitida? 
No ciclo silvestre da febre amarela (cujos casos têm sido registrados recentemente no país), a transmissão é feita pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, sendo os macacos os principais hospedeiros e amplificadores. O homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. 
Ao picar um macaco ou uma pessoa doente por febre amarela, o mosquito adquire o vírus. Depois de alguns dias, quando picar outros macacos ou humanos, transmitirá a doença.
No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir do mosquito Aedes aegypti infectado. Desde 1942 não há notificação no país da febre amarela urbana.
Não há transmissão de pessoa a pessoa. A incubação varia de 3 a 6 dias, embora se considere que possa se estender até 15 dias.

3 – Quais as áreas de risco para a transmissão? 
Áreas onde já há casos confirmados da doença, mortes de macacos por febre amarela e detecção do mosquito. As áreas consideradas de maior risco são os locais de matas, florestas, rios, cachoeiras, parques e o meio rural.

4 – Qual o papel dos macacos na transmissão da febre amarela? 
Os macacos NÃO TRANSMITEM a febre amarela. Adoecem e morrem da mesma forma que os humanos. Por isso, a morte de macacos é um sinalizador da presença do vírus na região. 

SINTOMAS E TRATAMENTO
1 – Quanto tempo leva da picada até o início dos sintomas? 
Geralmente de três a seis dias após a picada, podendo levar até 15 dias. 

2 – Quais os sintomas da febre amarela? 
Os sintomas iniciais incluem febre súbita, calafrios, dor de cabeça, dor nas costas, dor no corpo, náuseas, vômitos e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após os sintomas iniciais. 
No entanto, cerca de 15% dos casos apresenta um breve período de melhora e, então, desenvolvem uma nova fase mais grave da doença. 
Nesses casos, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. De 20 a 50% das pessoas que desenvolvem a forma grave da doença morrem. 

3 – Os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças? 
Sim. Os sintomas da febre amarela podem ser confundidos com outras infecções agudas febris. 
O diagnóstico da forma leve e da forma moderada é difícil, pois os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças infecciosas do sistema respiratório, digestivo ou urinário. 
Formas graves com quadro clínico clássico ou fulminante devem ser diferenciadas de malária, leptospirose, febre maculosa, dengue e outras doenças transmitidas por insetos, e também dos casos fulminantes de hepatite.

4 – Como é feito o diagnóstico? 
É feito por exame laboratorial dos casos suspeitos. 

5 – O que fazer em caso de sintomas de febre amarela? 
Deve-se procurar um médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre qualquer viagem ou atividade em área de risco até 15 dias antes do início dos sintomas. 
A observação da morte de macacos, assim como picadas de mosquitos em áreas de risco, deve ser informada ao médico e enfermeiros, assim como o histórico de vacinação contra a febre amarela ou dengue.

6 – Como é feito o tratamento? 
Não há tratamento específico para a doença. Serão tratados os sintomas, como febre, dores no corpo e cabeça, com analgésicos e antitérmicos, e oferecido suporte. O paciente deve ser acompanhado de perto e o médico deve estar alerta para qualquer sinal de piora do quadro clínico. 

PREVENÇÃO
1 – Como se prevenir contra a febre amarela?
A forma mais segura é a vacinação. Também é importante combater o vetor (mosquito) que transmite o vírus da doença e evitar áreas de mata com registros da doença. O uso de repelentes, de roupas de compridas e de mosquiteiros para quem for para áreas de risco é um reforço da proteção.

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